sábado, 26 de julho de 2014

Nasci do outro lado do oceano

Nasci no outro lado do oceano, a Venezuela que nunca conheci, ou melhor, que não me recordo é hoje um país grande num continente gigante. Foi a minha primeira casa. Hoje, mesmo sem conhecer, é pela América Latina que o meu coração “chama”... que a minha pele respira. Gosto da cultura, do lugar, do ar e de tudo que aquele continente pode dar. Quero um dia lá voltar! É verdade, hoje quero conhecer a cidade onde nasci e a qual a minha mãe relembra com alguma saudade e alegria. Mas não só da Venezuela se cria aquele continente, tem tanto por onde olhar, respirar e saborear que me perco nas opções.
Olha o brasil, que ao lado é vizinho e que partilha o continente. É a alma latina, o mesmo calor e o mesmo oceano. O clima deve ser verdadeiramente cativante mas não é deveras para mim o mais importante. Perco-me na mistura de sensações que aguçam cada vez mais o meu “apetite”, mesmo sem o conhecer. Gostava de um dia lá chegar para ficar, tempo alargado e com objectivos bem definidos. Para além de apagar a sede do simples conhecer, poder também dar de beber à vontade de lá poder crescer também profissionalmente. O país em que sonho um dia trabalhar, lá mais para frente. Um local onde possa partilhar com os melhores o saber do meio audiovisual, profissão que escolhi para me licenciar e trabalhar. Mas o audiovisual é outro conto que para cá não será chamado pelo grande tamanho que ocupa no meu coração e na minha vida, afinal é um dos meus amores.
É verdade, hoje virada para o mar, debaixo de um sol companheiro e uma brisa presente, deu-me vontade de escrever sobre o outro lado do oceano, o lado que me viu nascer e que um dia quero voltar, nem que seja por momentos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

ACIMA DE TUDO MÃE

Não sou mãe. Mas perder um filho, o único! Aquele a quem desejamos o melhor e fazemos o possível e o impossível por ele! Não sou mãe, não conheço o André, nem o pai do André e muito menos a Judite, mas acredito que a dor essa... O que sei é que nenhum ser humano deveria passar tal provação na vida.



“Perdi o meu filho. O meu único filho. A luz que dava sentido à minha vida. O meu santo que tantas alegrias me deu. Bom filho, bom estudante, inteligente. Com uma carreira de sucesso. Não sei como vou ultrapassar esta dor. O que sei é que uma parte de mim morreu com o meu André. Interrogo-me sobre o sentido da minha vida. As minhas escolhas, a minha vida focada no trabalho, na escrita, tendo sempre presente que o meu filho era quem mais se orgulhava do que eu fiz e construí ao longo da minha vida. Fiz tudo para que nada faltasse ao meu André, mas não consegui salvar-lhe a vida. Um fracasso e uma tragédia. Estranha vida a minha! Realizada profissionalmente, dramática pessoalmente. O último ano foi penoso. Apenas existia o meu André que me dizia muitas vezes: "Mãe, não vais ficar sozinha". E eu acreditava. Acreditava. Eram palavras ditas pelo meu filho, um jovem ponderado e sensato. 
Esta conversa vai longa. Pretendo apenas, por este meio, agradecer as muitas mensagens e emails que recebi nas últimas 48 horas. Não tenho palavras para expressar a minha gratidão. A todos. Do fundo do meu coração.” Judite de Sousa